Bomba

intensidade e impulsividade. uma combinação um tanto explosiva.

Eu tenho uma bomba relógio dentro de mim que a cada 5 minutos ela explode e se reconfigura para mais 5 minutos.

Relato de outubro de 2016.

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Mariana

Mariana. Eu ia começar de outra forma esse texto, falando sobre saudade. Mas ela se faz presente e me dá tanta força que nem sei se o sentimento que tenho por ela se chama saudade. Mariana é uma estrela purpurinada que apareceu na minha vida da forma que deveria ter aparecido: num bailão na praça XV, a caminho do nosso banheiro ao ar público enquanto o tópico da conversa, da nossa primeira conversa bêbada e diferente de ‘Oi!’, ‘Tchau’: dar o cu e como a gente gostava! Quem diria que teríamos muito mais episódios para compartilhar uma com a outra, principalmente sobre sexo anal também! HAHAHA. A sintonia que nasceu do cu. Do cu que balança para desestressar do trabalho, do boy embuste, da família, dos amigos, das indecisões, das decisões e de simplesmente saí por aí batendo o cu, sem saber o ritmo que era. Sem rumo, sem julgamentos, sem pressão. Só por sair. Aquele convite que chegava no fim de tarde de sábado: ‘vamos subir o Vidigal de moto?’. Começamos a estar presente uma para a outra. Mariana me passa força. Vejo ela como uma guerreira, despida de qualquer amarração, que veio ao mundo para fortalece-lo. E as vezes acho que nem ela sabe disso. Mas ela vem aprendendo e conhecendo, aos poucos, as vezes no extremo (infelizmente), a força que ela tem.  Não pense que ela não tem os momentos de fraqueza dela, claro que ela tem. Como qualquer outra pessoa. Tem horas que se sente perdida, se sente sozinha, mas o que ela não sabe é que ela é aquela bateria que recarrega sozinha, tipo Wolverine, tipo Pantera Negra. A gente está ao lado dela porque a amamos muito. Mas ela não precisa da gente. Quando ela decidiu voar para outros mares, achei que não fosse aguentar de saudade da minha parceira de crime. Fizemos aquela bela despedida, numa noite LOUCA, que parecia que iríamos morrer ali. E se acontecesse, eu morreria feliz ao lado dela, rebolando o cu. E lá foi ela, desbravar os Estados Unidos. Continuamos a twerkar, separadas, mas ela segue presente comigo. Essa força maravilhosa. E quando a saudade aparece mais fisicamente, eu encontro com ela no show do BNegão. Ele é nosso elo. Era o lugar onde a gente ia e se esbaldava puramente, só manifestações dos nossos corpos.

Eu e Mariana não temos data marcada de encontro. Não sabemos ainda. Mas seguimos juntas, ela da América do Norte e eu da América do Sul, POR ENQUANTO. Porque isso é só um tempo para planejarmos como vamos conquistar esse mundo juntas. Mas de uma coisa temos certeza: será rebolando o cu.

Te amo, papa mundi! ❤

Before The Worst

“I remember when I lost my mind…” ¹

 

Sempre tenho atração por pessoas que me passam um certo mistério. Eu sou curiosa e tenho um quê antropológico, descobridora que me faz querer mergulhar nesses mares misteriosos. Você foi uma pessoa que me tocou. Você tem algo que eu admiro e gostaria muito de ser no ambiente profissional, mais quieta e menos. Lembro na outra temporada, quando chegava a hora do jantar no sábado, você tinha seu cantinho específico para comer. Sozinho, calado, quase concentrado para comer, para depois ir tirar sua soneca que eu não consegui descobrir onde era (ou eu não lembro). Desde aquela época eu queria ter me aproximado de você, mas de fato, eu estava lidando com muita coisa (ainda estou, já passei de fase, mas ainda tem o que organizar nessa minha casinha aqui). E então veio outra temporada, estávamos novamente trabalhando juntos. E eu decidi arriscar em me aproximar. Mas eu não sabia como faria. Nem porquê faria, na verdade, nem para quê. Optei por ir pela forma que me sinto mais confortável – pela sexualidade. Que engraçado pensar nisso agora, mais uma vez vejo que sexo/sensualidade/sexualidade é algo que faz me sentir bem. Comecei a soltar as piadinhas, mas sabia que só isso não me satisfaria, muito menos me daria acesso ao que eu queria, que era saber mais de você, do que você gosta ou desgosta. Calhou de eu ter que acompanhar a entrada do público e ter que ficar 25 minutos do seu lado em cada sessão. Percebi que ali seria a minha chave para conseguir dar minhas cantadas com mais liberdade. O que inicialmente era descobrir, transar e seguir a vida, se tornou algo um pouco mais complexo (complicado já era né?), porque você começou a me mostrar quem você era.

“Is trying to take it back
Before it all went wrong”

Before The Worst – The Script

E eu comecei a entender suas caretas, instigar seus sorrisos quando estava concentrado ou quieto, que suas tatuagens falam por si próprias e compõe a sua história, senti que podia confiar em você, derramar algumas lágrimas desesperadas de quem não tinha ninguém para me acolher, ouvir ‘curiosidades’ sobre sua vida. Tudo em 25 minutos diários de conversa. E começava a ficar ansiosa para chegar os próximos 25 min para poder ver o que sairia dessa caixinha de surpresa que me inquietava. Minha vontade de te tocar só aumentava. Na verdade, eu adoro te irritar e te tocar, mas quando essa ação parte de você, estremeço toda. Esse jogo tem me agradado por N motivos, pela minha inexplicável queda por pessoas comprometidas, por essa minha vontade de te conhecer, por conexões que um dia eu possivelmente entenderei. Mas começou a ficar ‘blur’ para mim. O que inicialmente era conquista e sexo, com uma pitada de descoberta, está virando um fogo no rabo de dimensões criativas extensas (juntei The Script com Gnarls Barkley, sou demais!) e sem controle, que precisa terminar.  Pelo meu bem. Pelo seu bem. Os mistérios que me encantaram e me fizeram dar início, são os mesmos que me fazem finalizar. Pelo meu bem. Pelo seu bem.

“Maybe I’m crazy
Maybe you’re crazy
Maybe we’re crazy
Probably”

Crazy – Gnarls Barkley (1)

 

meu


Estar num processo de mudança onde não existe uma zona de conforto é algo bem difícil, mas pode ser um caminho um tanto quando libertador. A sensação é como se você tivesse que recomeçar, perceber seus gostos, o que te faz feliz, lugares, pessoas, rotinas. Eu, como uma pessoa extremamente ansiosa e impulsiva, perceber que muita das vezes preciso desacelerar, quase parar para me enxergar, me observar é uma tarefa que não tenho feito muito nesse tempo que estive em São Paulo. E é demorado até para você entender isso.

Estar sozinha numa cidade é ter todas as atenções voltadas para você, o foco é em você. No meu caso, estou começando a ver isso agora. Com ajuda da terapia, vejo o quão mal tenho me feito e isso é fruto de um ciclo vicioso que trago desde o Rio, mas que lá, por ser onde nasci e me construí, há partes boas. Pela minha insegurança, guardei todas as opções do que sei (ou faço uma mínima ideia) do que me faz bem e foco naquilo que me magoa, que me coloca num túnel onde não consigo me ver, me perceber, na verdade, nem sei dizer que esse túnel tem final. Esse túnel é tão escuro que não consigo ver minhas partes boas. Faz tempo que não escrevo, hoje meio que me forcei a tentar botar algo para fora. No Rio, eu também não escrevia com tanta frequência, mas tinha hora que eu transbordava, por ter todo uma zona de conforto e propensão a tal coisa. Era no meu quarto que eu escrevia, quarto com as minhas coisas favoritas, meus dvds, meus livros, minha pouca decoração. Sinto que nesse túnel nem ando.

Muitos questionamentos aparecem para mim agora. Para me (re)conhecer vou precisar fechar os olhos, começar a caminhar e me sentir, me tocar, sentir minha respiração, tatear cada passo. Sei, bem lá no fundo (talvez desse túnel rs), que sou força, que eu posso e mereço o melhor para mim. Entender e incorporar que isso tudo precisa vir de mim e que eu tenho essa potência, é o MEU desafio.

Procura-se

Procura-se

Camila Lima dos Santos

Quase 24 anos

Negra

Gorda (atualmente)

Formada em Produção Cultural

Na Universidade Federal Fluminense

Ama música

Ama comer

Ansiedade e impulsividade convivem e vivem com ela

Gosta da gema do ovo

Ama lasanha

Curiosa, porém a preguiça a atrapalha

Teimosa

Imperfeita que tenta ser perfeita (perante aos olhos dos outros)

Sonhadora (aff, é verdade)

Positiva com tudo ao redor menos ela

Confusa

Preguiçosa (merece uma linha só para ela)

Desinteressante

Desorganizada

Fala alto

Não sabe se impor

Nasceu no Rio, mora em São Paulo mas sua residência é o mundo

Perdida

Enrolada

Sorridente

Ama dançar

Ama água

Ama viver

Por favor, entre em contato.

Quem sou eu

Quem sou eu quando jogada em um amontoado de gente? Vocês conseguem me ver? Conseguem me perceber ?

Sigo nessa loucura de tentar me encontrar, onde me lanço sem a menor vontade aos encontros com minha adolescência vivida numa bolha onde tudo era planejado. A visão era tão turva que as vezes mal reconheço a minha própria imaginação criado nos tempos de menina.

Tenho a sensação de sempre chegar por último nesses meus encontros. Posso ser a primeira a chegar no rolê, ou melhor, ser a anfitriã deste grande baile (com máscaras ou não ?) e ser a última a se encontrar ou se sentir aconchegante. Nem sei se esse sentimento existe. Pode ser a bolha da bolha estourada, quem saberá dizer ? haha

Mas essa busca inevitável de mim, que mesmo eu correndo atrás dela, de forma equivocada, procuro nas pessoas, nos lugares, nas músicas, nos sonhos – parece clichê, eu sei – tende a me mostrar que está em mim. E fico só no meio de um amontoado de gente.

E me pergunto: quem sou eu?

Mudanças nas mudanças

Tempo. Sempre ele.

Essa semana tive contato com diversos sentimentos diferentes e até novos para mim. É difícil saber lidar e saber entender esse momento. O autoconhecimento é algo incrível e ao mesmo tempo assustador, quando você tem que encara-lo de frente e sozinha.

Me mudei para São Paulo, algo que quero fazer desde meus 15/17 anos. Trilhei meu caminho para que esse desejo se realizasse. Não só trilhei, batalhei para que isso acontecesse. Chego aqui com 23 anos. Super animada pela mudança, que traz diversas novidades!

Até um dia em que estou na casa de uma amiga minha, deitada, de ‘folga’ e me pego colocando músicas de 2012 para tocar. Quando me toquei: ‘gente, as músicas que escuto atualmente são tão diferentes!’. Percebi que a forma como eu via que iria viver São Paulo era totalmente diferente, porque EU mudei. Mas estou descobrindo isso agora, vivendo, me conhecendo, me aceitando ou mudando. E como lidar ?

Como saber como viver São Paulo com a Camila de 2018 e não com a de 2012?